Minúcias Macroversas

24 08 2010

Tem alguém aí fora ?
Acho que preciso de ajuda… Estou vagando por esse imenso deserto de escuridão
Preso no meu macroverso

Ondas tempestuosas atravessam e inundam minha moral
E tornam meus pensamentos mais claros
Os olhos se abrem
E então percebo um mundo onde as individualidades se sobrepõem
Egos em combate
Egoísmo ao extremo

A morte é demasiada volúvel. Mata-se muito, vive-se pouco.
Vidas que são retiradas como o vento espalha a areia
Os sofrimentos desses seres ofuscam suas capacidades
Seus pseudo-governantes se alimentam de alienação
“Não adianta ser, velho Jack, é preciso ter… TER”

Crianças que abandonaram a infância e já procriam novas peças para esse sistema.
Com tão pouca idade, juventude desperdiçada

Há um objetivo entre eles, meu velho: Poder
Com mais dinheiro, mais poder
Com mais prestígio, mais poder
Com mais bens materiais, mais poder
Seres consternados. Quão intelecto lhes falta

Eles também sofrem, mas tampam os olhos para isso
Permanecem na submissão, no condicionamento
Há entre eles uma praga chamada consumo
Nessa natureza, tudo de material se cria, tudo se consome

Possuem formas de religiões tão dissonantes que lhes faltam deuses para todas elas
Brigam por imaginar um Ser superior tão longe deles, mal sabem que essa força está até dentro dos próprios

Nas grandes entrelinhas desse mundo, e subjugados a outro plano, pessoas morrem por não garantirem-lhes a subsistência
Existe, inclusive, um continente inteiro dessa classe
De um lado, um banquete jogado no lixo, do outro, uma criança juntando as migalhas de um pão velho
Desigualdade certa e impura

Tecnologia é a coluna-mãe de todo esse sistema
O avanço usurpa os sonhos
E torna utópico o desejo da vida coletiva
Máquinas desenvolvidas, eles estão sendo engolidos por elas
Carimbam-lhes na face o selo da opressão
E, o impressionante, eles se acham felizes

Eles não vivem, com certeza
Não experimentaram a verdadeira felicidade
Ainda não se tornaram capazes da vivência plena, não sabem o que é isso
Pensam que tem a vida, mas esta não lhes pertence
O real dono é sempre quem aperta o botão

Acabam com seu próprio espaço
Adeus, lindo céu azul
Tiram de si os tesouros milenares escondidos
Perfuram as camadas do planeta, apenas para render-lhes barris, liquidez… e poder, sempre.
Têm tanto armamento para combater uma guerra iminente, mas são como insetos ao se tratar do combate aos problemas de seus espíritos

Contudo, alguns rumam contra o fluxo
Acreditam na força escondida na alma
Mas são abafados pela maioria dos incrédulos
E se afogam no conformismo

Seres, busquem o imaterial !
Mergulhem nesse precioso lago abstrato
Transfigurem-se e abram mão de suas vaidades
Daí deste pobre mundo, vocês não trarão nada concreto
E então lhes faltarão sentimentos e se arrependerão dos momentos perdidos

Deste meu macroverso, observo estes pobres seres
Criados para serem imagem e semelhança, e não chegam nem perto
Um dia eles hão de acordar dessa falsa vida que levam
Começarão a quebrar o muro que os cercam
E então, finalmente, escreverão sobre sua sincera existência

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Um auto-estudo

19 05 2010

Há milhares de anos o homem procura a melhor maneira de se viver. Com a tecnologia e a cultura moderna do imediatismo, o tempo se tornou um importante vilão. A vida, propriamente dita, é como uma colcha de retalhos. Passamos por perdas que imaginamos serem impossíveis de se reencontrar o equilíbrio emocional e por ganhos, que, por sua vez, nos acalentam e dão força para enfrentarmos os percalços do caminho. Atrelado a isso, somos obrigados ou não, a fazer certas escolhas e renúncias, seja por intermédio do simples fato de viver, seja para alcançar algo maior – ou nos fazer cair e “dar a volta por cima”.

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A responsabilidade humana vai além do que imaginamos

30 04 2010

Por que devemos nos importar com o próximo, sem nos basearmos em teorias religiosas, ético-morais ou fatos clichês?

Para começar, é impossível haver dois sistemas sociais distintos. O que existe são duas maneiras de ver e atuar no mesmo sistema. As pessoas jamais são completamente separadas umas das outras.

As relações humanas são uma grande teia multifocal. Revela que ninguém é uma ilha física, psíquica e social dentro da humanidade. Todos somos influenciados pelos outros. Todos os nossos atos, quer sejam conscientes ou não, quer sejam atitudes construtivas ou destrutivas, alteram os acontecimentos e desenvolvimento da própria humanidade.

Qualquer ser humano – intelectual ou iletrado, rico ou pobre, médico ou paciente, ativista ou alienado – é afetado pela sociedade e, por sua vez, interfere nas conquistas e perdas da própria sociedade através de seus comportamentos.

Todos são responsáveis pelo futuro da sociedade e, por conseqüência, pelo futuro da humanidade e do planeta como um todo.

Mínimos comportamentos podem interferir em grandes reações na História. O espirro de um norte americano pode afetar as reações das pessoas no Oriente Médio. Uma atitude de um europeu, por mínima que seja, pode interferir no tempo e nas ações da China.

Ex.: Um padeiro que fez pão no século XV em Paris afetou o tempo e a memória da dona de casa que o comprou, afetando as reações dos seus filhos, que por sua vez, alteraram os comportamentos dos seus amigos, vizinhos, colegas de trabalho, e que, numa reação em cadeia, influenciaram a sociedade francesa da época e de outras gerações. Assim, numa seqüência ininterrupta de eventos, o padeiro do século XV influenciou, séculos mais tarde, os pais, amigos e, consequentemente, a formação da personalidade de Napoleão, que afetou o mundo.

Hitler, em 1908, mudou-se para Viena com o objetivo de se tornar pintor. O professor da academia de belas-artes que o rejeitou afetou o seu tempo, sua memória, seu inconsciente. Por sua vez, influenciou sua atividade, sua compreensão do mundo, suas reações, sua luta no partido nazista, sua prisão, seu livro. Todo este processo interferiu na eclosão da Segunda Guerra Mundial, que afetou a Europa, o Japão, a Rússia, os EUA e que mudou os rumos da humanidade.

Se Hitler tivesse sido aceito na academia de belas-artes, talvez tivéssemos tido um artista plástico, ainda que medíocre, e não um dos maiores psicopatas da história. Não que a psicopatia de Hitler seria resolvida com sua inclusão na escola de Viena, mas poderia ser abrandada ou talvez não se manifestasse.

O ato de um suicídio altera o tempo dos amigos e dos parentes da pessoa que quer matar-se, e principalmente despedaça a emoção e a memória deles, gerando um vácuo existencial, lembranças e pensamentos perturbadores que afetarão suas histórias e o futuro da sociedade. Ninguém desaparece quando morre. Viver com dignidade e morrer com dignidade deveriam ser tesouros cobiçados ansiosamente.

Portanto, o princípio da corresponsabilidade inevitável demonstra que nunca podemos ser uma ilha na humanidade. Jamais deveria haver as ilhas dos norte americanos, dos árabes, dos judeus, dos europeus. A humanidade é uma família vivendo numa complexa teia. Somos uma única espécie. Deveríamos amá-la e cuidar dela mutuamente, caso contrário não sobreviveremos. Somos responsáveis inevitavelmente, em maior ou menor proporção, pela prevenção do terrorismo, da violência social, da fome mundial.

“Há sistemas que pouco se comunicam, mas não são isolados. Por tudo isso, isolar-se ou fechar-se em seu mundo pode ser um ato egoísta”.

“Interferimos na memória e no tempo dos outros a todo instante. A memória e o tempo nos unem numa inevitável rede”.

“Não conseguimos fugir dos outros porque não conseguimos fugir de nós mesmos”


“Vivemos num tempo em que as flores se esforçam por substituir por si mesmas, e não pela terra rica e pela chuva benfazeja.”

Ray Bradbury.

Esse texto foi um estudo baseado em um princípio chamado “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável”, retirado do livro “O Futuro da Humanidade”, de Augusto Cury.

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